VARGEM GRANDE

Polo Moda Íntima
Número de empresas de lingerie: 50 = 90% das empresas locais

Faturamento anual: R$ 60 milhões/ano

Produção mensal: 500 mil peças de lingerie

Número de habitantes do distrito: 2.000

Distância de Belo Horizonte: 435 quilômetros

Assecon

Atualmente, o Sebrae oferece suporte em áreas como cooperação, eficiência produtiva, modelagem e design, capacitação financeira e gerencial, melhoria de layout da produção e na organização de visitas a feiras especializadas do setor. Um trabalho que faz com que o polo de lingerie de Vargem Grande continue crescendo e aprimorando seus processos e produtos – além, é claro, de gerar mais empregos, renda e qualidade de vida para os moradores da região

São João do Manteninha

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SOBRE

Polo de Peças Íntimas

Na pequena localidade de Vargem Grande, distrito de São João do Manteninha, município que fica a 500 quilômetros de Belo Horizonte e a 110 de Governador Valadares, vivem cerca de 2,5 mil pessoas. Há mais de 20 anos, os moradores sobreviviam da agricultura e da fabricação de tijolos, mas a produção de calcinhas e sutiãs está mudando o perfil da região e abrindo grandes oportunidades para a comunidade local, que vive o boom da moda íntima. São 38 confecções que, juntas, são capazes de produzir cerca de 500 mil peças de lingerie e gerar uma renda de R$ 2 milhões por mês. O setor representa 90% das empresas e emprega metade da população.

O crescimento econômico da moda íntima em Vargem Grande começou em 2005, com as primeiras ações do Sebrae Minas junto aos empresários das confecções. Na época, 14 fábricas operavam de portas fechadas, sem processos produtivos eficientes e com foco nas vendas via representantes comerciais de fora. A regional Rio Doce e Vale do Aço do Sebrae Minas passou a prestar suporte em áreas como cooperação, eficiência produtiva, capacitação financeira e gerencial, melhoria de layout de produção e organização de visitas a feiras especializadas.

O diagnóstico feito na etapa inicial mostrou que o temor de que o lucro não superasse os custos de uma loja impedia os empresários de dar esse passo. “As confecções já eram empresas organizadas e cumpriam as leis, mas continuavam escondidas em fundos de quintal. Mostramos que era preciso abrir as portas para exibir produtos e receber clientes. Para prepará-los, oferecemos capacitações que abrangiam desde gestão de negócios até atendimento ao cliente, e o processo de abertura de lojas foi iniciado”, lembra Marcelo Gonçalves, analista do Sebrae Minas.

A resposta ao investimento foi rápida e serviu para alavancar as vendas. Atualmente, os produtores possuem pronta-entrega e o número de estabelecimentos em Vargem Grande chega a exceder o de fábricas, já que cinco delas estão instaladas na cidade de São João de Manteninha, estabelecidas na área em que circula um maior número de clientes.

O cenário econômico favorável rendeu a São João do Manteninha o status de polo de confecção de lingeries e colocou o município na rota dos representantes, sacoleiros, lojistas e consumidores finais desse segmento do setor de vestuário. A região recebe, diariamente, centenas de clientes, vindos de diversas regiões de Minas Gerais, e de outros estados como Bahia, Espírito Santo, São Paulo e Rio de Janeiro.

vargem grande

CONCORRÊNCIA

AMIGÁVEL

As opções de lojas de pronta-entrega em Vargem Grande são muitas e próximas umas das outras, mas cada qual com identidade e produtos com características específicas. Os empresários se conhecem, trocam conhecimentos e indicações de matérias-primas. Dessa forma, a concorrência ocorre de forma harmônica e colaborativa.
Para nutrir a relação de parceria e união entre os empresários, no segundo ano do projeto o Sebrae Minas contratou cem horas de consultoria, divididas em cinco meses de trabalho, para fortalecer o associativismo e o cooperativismo no grupo, o que resultou na criação da Associação dos Empreendedores de Confecções, Indústrias e Comércios de São João do Manteninha e Região (Assecon).

Parceria de sucesso

Ilza Maria de Mendonça é proprietária da Meury Kiss, primeira confecção do distrito, que hoje conta com 60 funcionários e produz cerca de 60 mil peças íntimas por mês, entre calcinhas, cintas, modeladores, sutiãs e cuecas. Na fábrica de Ilza, as vendas em loja já representam 50% do montante total, apresentam vantagens na relação custo-benefício e aumento na lucratividade.

A filha de Ilza, Elisângela, e seu marido Emerson da Silva Xavier, criaram a Love Life Indústria e Comércio Ltda, atualmente a maior do município. A empresa foi a primeira a abrir loja em Vargem Grande e, hoje, já possui uma filial instalada em um shopping de Colatina, no Espírito Santo. Por dia, a fábrica produz entre 11 e 12 mil peças.

Amarildo Francisco Siqueira e sua esposa Valéria são os proprietários da World Star. O casal comanda 25 funcionários, que produzem 9 mil peças ao mês. “O apoio do Sebrae Minas tem sido muito importante, por nos estimular a abrir a mente. Com as capacitações e consultorias constantes, além de incentivo à participações em feiras e eventos de moda em outras cidades e estados, conseguimos visualizar as necessidades de mudanças e acompanhar as novas tendências do mercado”, avalia o empreendedor.

De acordo com os empresários, o negócio mudou a realidade do local e passou a oferecer boas alternativas aos jovens, como recorda Ilza Mendonça. “O distrito era muito menor, havia poucas casas e moradores. A agricultura e a olaria, atividades predominantes na região, não ofereciam ocupação para todos, então a maioria dos jovens saía em busca de trabalho na capital, outros estados e países. Hoje, o movimento é contrário. Quem está aqui não sai mais, por conseguir estudo e trabalho. E muitos dos que tinham migrado voltaram para trabalhar ou abrir negócios no segmento de lingeries”, compara.